O Príncipe Dragão – Segunda Temporada

A minha relação com Dragon Prince está sendo a seguinte, eu gosto bastante mais há pequenas coisas que me irritam.


Esse texto não contém spoiler da segunda temporada.

Semana passada, dia 15 de fevereiro, estreio a segunda temporada de O Príncipe Dragão, e apesar de ainda ter algumas similaridades com Avatar – O Último Dobrado de Ar ele parece estar começando a seguir o seu próprio caminho de contar histórias.

Enquanto a primeira temporada estava focada em fazer com que os protagonistas seguissem adiante, essa nova temporada deu, literalmente, uma parada nessa jornada. Uma interrupção positiva para desenvolver alguns personagens e apresentar outros, assim como também para explicar melhor a diegese (universo) dessa série. Mais especificamente a diegese relacionada ao mundo humano.

A continuação de Príncipe Dragão vai trabalhar cinco personagens, cinco personagens que irei colocar na ordem de mais importância: Callum, Claudia, Viran, Ezran e Soren. Onde esses cinco humanos irão expandir ainda mais o universo dessa série, seja contando uma história do passado, seja explicando como funciona alguma coisa, seja apresentando novos personagens.

A jornada de Callum nessa temporada é de tentar descobrir em como usar magia, a qual ele busca a ajuda da Lujanne (a elfa da lua que eles encontraram no final da primeira temporada), isso fez com que nós expectadores, assim como Callum, aprendessem mais sobre de onde veem a magia daquele local e daquelas criaturas. Misturada a isso, temos Claudia, a usuária de magia sombria, a personagem a qual eu falei que esperava mais desenvolvimento, principalmente sobre essa questão de magia sombria.


Onde parece que os meus pedidos foram ouvidos, pois apesar da magia sombria ainda ser o mal por ser mal e ponto, Claudia se mostrou bem complexa em relação a essa prática. Onde ela mostra ser uma boa pessoa, que em certas situações não vê mal em utilizar essa magia, mas que em outras se sente culpada, mas a utiliza mesmo assim para um “bem maior”. Onde ela acaba a temporada sem certeza, dando espaço para trabalhar ainda mais a personagem.

Porque tanto o problema da Claudia, quanto o do Soren, é o pai deles, Viran. Nessa temporada Viran foi mais um peão para nos apresentar os outros reinos humanos e o possível verdadeiro vilão da história, do que trabalhar o personagem em si. Na verdade, o personagem Viran nessa temporada só se mostrou mais mal construído, onde estão tentando fazer dele um personagem dúbio, como a Claudio, mas que no final só o deixa falso.

Continuando... Ezran mostra mais as suas habilidades de falar com os animais (que eu pessoalmente acho bem clichê e bobo) e junto com seu irmão Callum eles têm que enfrentar a descoberta do falecimento do pai deles. O que encadeio várias frases de sabedoria jogadas que se repetiam a todo o momento, sendo esse outro ponto negativo da temporada. Eram tantas sabedorias e frases de efeito sendo ditas que ficou parecendo uma timeline de Facebook.

Por fim, Soren, que apesar de ter servido mais para desenvolver a ambiguidade da Claudia, também teve o seu momento de reflexão sobre o que é certo ou errado. Além de ser a principal escapatória para o alivio cômico dessa temporada.


Por conta desse foco nos personagens humanos, a querida Rayla acaba ficando bem apagada durante esse período, realmente só estando ali, o máximo de desenvolvimento que ela teve foi uma conversa onde ela houve os ensinamentos do Tio Iroh, quero dizer do Capitão Cego.

Porém eu consigo entender essa jogada de escanteio da Rayla, visto que eles estão em território humano preste a cruzar para o território élfico. Ou seja, quando eles chegarem em Xadia provavelmente, na verdade eu acho bom que vazam isso, eles devem dar bem mais atenção a nossa elfa querida.

Inclusive eu percebi algo interessante conforme os protagonistas se aproximam do seu objetivo: quando mais perto eles chegam de Xadia, mais nós descobrimos sobre os elfos e sobre essa terra. Isso pode até parecer obvio, mas eles não necessariamente precisavam fazer dessa forma, o que mostra um subtexto interessante.

Falando em subtexto, essa segunda temporada também expandiu o legue de representatividade, não só colocando mais etnias como também colocando personagens LGBT+. Porém falar desses personagens seria spoiler, então, deixarei para um próximo texto.


Em relação a produção, eu achei um pouco mais esquisita do que a anterior. Porque na anterior o frame rate era baixo, porém ele é consistente, não mudava, aqui parece que a animação fica variando. É como se eles tentassem deixar mais suave, porém como não era inicialmente o planejado e acabou ficando só mal feito. Por exemplo, haviam cenas com “motion blur” (um efeito para deixar a imagem borrada e dar mais realidade ao movimento) que pareciam estar com esse efeito só para disfarçar algo.

O que me preocupa essa atenção com as reclamações de fãs, não que não se deve ouvir os fãs, mas deixar que eles interfiram na história que se quer contar não dá certo. Como Bryan Konietzko (co-criador de Avatar) uma vez falou em uma entrevista, não dá para agradar todo mundo, então, só foque na história que você quer contar. Espero mesmo que a produção de Dragon Prince não se deixe cair na ilusão de agradar os fãs.

Uma outra pequena reclamação sobre uma escolha de produção é o fato do Zyn, o príncipe dragão, ter ficado com sons de filhote de cachorro. Dava muito nervosos um lagarto com voz de cachorro, assim, eles podiam ter personalizado um pouco, como foi com a Isca, mas não ele só tinha som de cachorro. (Mas isso é só um detalhe que eu quis reclamar.)

De forma geral a segunda temporada de Dragon Prince foi mais um aprofundamento do que uma continuação. Explicando melhor pontas soltas que foram deixadas na temporada anterior, apesar de algumas coisas ainda parecerem perdidas.

Se tiver 6 temporadas, visto que são seis fontes primárias, e ele parece copiar Avatar em relação a dar nomes as temporadas com os nomes dos elementos, então, sendo essa só a segunda temporada, continuo dando o crédito que só tende a melhorar.

Se gosta dessa série, fique ligado porque devo falar mais sobre ela aqui no blog.

Esse temporada também surgiu esse queridinho. 

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