O Príncipe Dragão e Avatar



No setembro do ano passado estreou “O Avatar Dragão”… Quero dizer, no setembro do ano passado estreou “O Príncipe Dragão” pela Netflix. Tendo o roteirista chefe de “Avatar: O Último Dobrador de Ar”, Aaron Eharsz, como co-criador é impossível não notar as semelhanças das duas animações.

Bem, O Príncipe Dragão conta a história de um reino que vivia em paz e harmonia, até que a nação do fogo atacou… não, pera. Humanos e elfos viviam juntos na terra mágica de Xadia, até que um humano muito inteligente resolver mexer com magia sombria, fazendo com que os elfos, mais inteligentes ainda expulsassem todos os humanos da terra mágica. Criando uma fronteira entre humanos e elfos guardado por um rei Dragão, os humanos em uma revolta matam esse dragão e o seu único herdeiro, causando uma guerra entre as duas raças.

Alguns poucos anos depois nos é apresentado o núcleo humano, o atual rei Harrow e seus dois filhos Callum e Erzan. Enquanto do outro lado temos um pequeno grupo de elfos lunares assassinos, o qual Rayla faz parte. Onde o encontro desses dois mundos irá forma o trio de protagonista: Callum, Rayla e Erzan.

A partir daí descobre-se que toda essa confusão entre elfos e humanos é devido a falta de diálogo. (Ah, se jura?) Ok, tem um outro fator que não quero revelar por causa de spoilers, mas basicamente o enredo se desenvolve com esses três tento que ir até a fronteira explicar toda a situação para ambos os lados e acabar com a guerra.

Ou seja, a série tem basicamente a mesma estrutura do primeiro Avatar: o Callum tem a personalidade do Sokka (até o mesmo dublador americano), a Rayla é a girl power prodígio e o Erzan é a criança que confia nos outros. Onde os três estão viajando pelo mundo para acabar com uma guerra.


A questão é, isso é ruim? Eu tenho alguns pontos para reclamar de Dragon Prince, mas a estrutura narrativa não é uma delas. A primeira temporada, como primeira temporada de só nove episódios de 30 minutos, está bem feita. Nos é apresentado os personagens, o universo, o conflito, como esses personagens vivem dentro desse mundo, como eles se relacionam entre si e têm uma boa justificativa do porque esses personagens estão enfrentando o conflito apresentado, além de vários hits de como a história pode se desenvolver e de como os personagem podem ser aprofundados.

Eles pegaram uma boa estrutura, e conseguiram com sucesso encacha-la em um outro universo com outros personagens. Eu acredito que essa organização tão parecida tenha sido mais inconsciente, afinal, é o mesmo escritor e o mesmo diretor. (Giancarlo Volpe dirigiu boa parte de Avatar e agora está dirigindo o Príncipe Dragão). Porém, isso não quer dizer que as histórias sejam parecidas, veja bem, O Príncipe Dragão tem sua própria história, seu próprio universo fantástico e suas próprias regras, porém Dragon Prince CONTA a sua história de forma bem-parecida de Avatar.

Um outro pró da série, e que sempre levo em consideração, é a representatividade. Afinal temos uma personagem feminina forte e um menino negro no trio principal. Mas quem eu quero ressaltar é a Toph, quero dizer, Amaya. Fazer uma personagem surda e, principalmente, falando em libras é um detalhe que faz a diferença. Afinal eles podiam muito bem fazer uma bola mágica que falece por ela, seria talvez até mais fácil no quesito da animação, mas optar por esse lado mais real é abraçar as pessoas com deficiência auditiva. É de uma empatia com o outro que me deixou bem feliz.


O que eu tenho para reclamar dessa série, no quesito que envolve a história, é que apesar de eles insinuarem que ambos os lados têm seus prós e contras, a história acaba criando uma dinâmica vilão vs herói, bem preto e branco. Nos dois primeiros episódios até tentasse criar um vilão com conflitos internos, mas depois disso ele virou um vilão do mal, porque sim.

Também não me agrada muito o problema ser a magia sombria e não o usuário que usa essa magia. Uma das personagens, por exemplo, usa esse tipo de magia e ela não é uma pessoa ruim, por isso espero que mais para frente seja trabalhado essas questões mais cinzas.

Outro especto que não me incomodou muito, mas eu vi algumas pessoas reclamando é em relação ao frame rate, os quadros por segundo, da animação. Se você olhar é como se a animação fosse cortada, ela não tem fluidez, durante os dois primeiros episódios pode até incomodar, porém se você maratonar a tendência é que os seus olhos se acostumem.

Pelo o que eu li em alguns sites, parece que essa foi uma escolha artística dos criadores, mas que por causa das reclamações eles já declararam que irão ter mais cuidado com isso, porém não irão alterar a fórmula. Particularmente o frame rate foi algo que me incomodou só durante uns 2 episódios, e o essencial que foram as cenas de ação, para mim, ficaram muito boas.

Vou ser sincera, o fato de O Príncipe Dragão ser em uma animação 3D, vez com que eu não ligasse muito para a série quando ela foi anunciada. Porém o uso do cel shadding* fez com que o visual da série ficasse mais interessante, esteticamente o desenho é bem agradável de se olhar. A iluminação e as sombras, para uma série animada estão bem detalhadas. E o design dos personagens não chegam a ser inovadores, mas são bem atraentes.

[Cel shading é um conjunto de técnicas empregadas na renderização de imagens 3D de modo que o resultado final se assemelhe ao de desenhos em 2D. Por: Wikipédia]

E que vocês acharam da série? Já viram? Pretendem ver? Me conta mais aqui em baixo nos comentários.

Mais uma história fantástica com magia sombria...

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