3 Filmes Para Celebrar O Orgulho Lésbico

Todo dia é dia de celebrar as sapatonas ou o romance entre duas mulheres.


Dia 19 de agosto foi o dia internacional do Orgulho Lésbico, na verdade, agosto como um todo é um mês para celebrar a homossexualidade feminina. Como mulher que gosta de outras mulheres, não queria deixar essa data passar em branco. Por isso eu selecionai dois filmes que retratam o romance entre duas mulheres, e um terceiro que tem uma protagonista homossexual e discute o estereótipo gay/lésbico.

(Antes de mais nada eu sei que um romance entre duas mulheres não é, necessariamente, um romance lésbico propriamente tido. Por isso mesmo eu os tratei como romance entre duas mulheres, visto que uma das personagens é bissexual).

De qualquer forma, independente de rótulos ou termos, se você procurar um filme onde a personagem tem um final feliz com outra personagem os três filmes a seguir devem te agradar.


Vamos começar com, provavelmente, o filme menos conhecido: “But I’m a Cheerleader” (Mas Eu Sou Uma Líder de Torcida), horrivelmente traduzido aqui no Brasil como Nunca Fui Santa. Um filme de 1999 dirigido por Jamie Babbit, que atualmente é casada com outra mulher e acho importante mencionar isso, por motivos de uma representatividade por trás das telas.

O filme inteiro é um deboche contra a “cura gay”, mostrando de todas as maneiras, do roteiro a direção de arte, como é ridículo tratar homossexualidade como uma doença. A história começa quando a família de Megan (Natasha Lyonne) faz uma intervenção por causa dos recentes “comportamentos lésbicos” que ela vinha mostrando e a manda para uma casa de reabilitação sexual.

A sátira gira em torno dos estereótipos de um como lésbicas e gays “se comportam”, por isso o nome, “Mas Eu Sou Uma Líder de Torcida”, visto que a menina feminina não pode ser lésbica. Ou o homem macho não pode ser “viado”. Porém nem tudo é só risada, no meio disso também é trato assuntos delicados, como parte daquelas meninas e meninos realmente quererem “virar héteros” ou a não aceitação dos pais pela sexualidade dos filhos, os obrigando mais severamente a estarem ali.

No geral é um filme para tirar um pouco de risada, e ao mesmo tempo criticar, essa situação tão horrível que a comunidade LGBT sofre.


Seguindo a lista, temos a versão feminina de “Com, Amor Simon”, ou quase isso. “Imagine Eu e Você” é uma comédia romântica de 2005 e foi dirigido por Ol Parker.

O romance começa no dia do casamento de Rachel (Piper Perabo) com Heck (Mathew Goode), onde a noiva conhece a florista Luce (Lena Headey). As duas se tornam amigas e depois que Rachel descobre que Luce é lésbicas ela começa a ter dúvidas sobre a sua vida amorosa.

Sabe todos aqueles clichês de romance agua com açúcar de amor à primeira vista e as coincidências do destino? “Imagine Eu e Você” é esse tipo de filme. Porém, como eu disse na review “Com, Amor Simon”, as pessoas LGBT+ merecemos esse tipo de filme. A primeira vez que assisti “Imagine Eu e Você” eu ainda estava no armário e tentando ver a beleza dessa comunidade, e esse filme realmente me fez sentir “normal”. É aí que eu falo de a importância do filme banal ser feito com uma representatividade diferente, porque cria-se uma sensação de normalização.

Mas não só por isso que estou recomendando “Imagine Eu e Você”. A sinopse do filme pode parecer que tem algum drama entre a Rachel e o Heck, pelo contrário, a relação deles é saudável do começo ao fim, a Rachel simplesmente percebe que o amor dela mudou e não simplesmente se desiludiu com um homem. (Só para esclarecer que a Rachel não virou lésbica, mas se descobriu bi).
Um filme que mostra que amor não escolhe tempo ou gênero e pode ter um final feliz mesmo que não siga o padrão social.


Para finalizar essa lista, um filme mais recente, “Carol” de 2015. Um drama romântico que se passa no começo dos anos 50 dirigido por Todd Haynes (um diretor famoso no Novo Cinema Queer).

Therese Belivet (Rooney Mara) vivia sua vida como boa parte das meninas dos anos 50, trabalhava em uma loja de departamento enquanto ela e seu namorado não se casam. Até que um dia uma mulher elegante e misteriosa, Carol (Cate Blanchett), aparece em sua loja e o romance entre elas se desenvolve.

Veja bem, é um romance lésbico nos anos 50, cheio de dramas e obstáculos, tinha tudo para as duas ficarem separadas de forma que o público “aceitasse”. Mas é aquela história, quem quer faz acontecer, quem não quer inventa desculpas. Todd Haynes não inventou desculpas e nos fez sair do cinema com sorriso no rosto. Apesar de nos deixar muito apreensivos durante a jornada do filme.

(Só queria ressaltar que nesse filme eu as coloco como romance lésbico, porque o relacionamento que elas têm com os homens se mostra mais uma obrigação da época).

A qualidade do filme pode ser validade com o número de indicações e vitórias nos festivais, mas o que eu queria ressaltar é a direção do Haynes. Porque fiquei surpresa ao descobrir que esse filme foi dirigido por um homem, mesmo que um gay ativista, pois é uma preocupação com o feminino é algo que se sente como espectador. Tanto que mais tarde, em entrevista Todd Haynes explica que o foco do filme eram as duas e o romance entre elas, e que ele não queria que o prazer de mais ninguém interferisse.

“Carol” não é um filme leve como os outros dois primeiros, mas é um filme para sentir a paixão entre duas mulheres.

Filme extra, Battle of the Sexes de 2017, que conta a história dessa guerreira sapatona que lutou pela igualdade de gênero nos esportes.

Eu suspeito que talvez esteja chovendo no molhado indicando esses filmes, pois já são populares, mas esses foram filmes que fizeram diferença para mim, que me ajudaram a normalizar a minha sexualidade e que me inspiram na hora de criar algo novo.

#GiveElsaaGirlfriend

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