Auto de Resistência [Crítica]


Sinopse: Um documentário sobre os homicídios praticados pela polícia contra civis, no Rio de Janeiro, em casos conhecidos como "autos de resistência".

O filme acompanha a trajetória de personagens que lidam com essas mortes em seus cotidianos, mostrando o tratamento dado pelo Estado a esses casos, desde o momento em que um indivíduo é morto, passando pela investigação da polícia, até as fases de arquivamento ou julgamento por um tribunal do júri.

Crítica por Reinaldo Barros: Sem dúvidas esse foi o documentário mais impactante que assisti até hoje, e esse impacto não foi devido exclusivamente ao conteúdo que por si só comoveu e causou indignação nos presentes, mas também pelo fato de ver, ouvir e sentir de perto (Elas estavam lá) o sofrimento das mães e familiares das vítimas de assassinatos cometidos por policiais.

O filme traz à tona a questão dos famosos autos de resistência, que são as resistências a prisão por parte do detido que por sua vez imprime violência ou não contra os policiais. Esse termo foi abolido em 2016 por uma resolução do Conselho Superior de Polícia e do Conselho Nacional dos Chefes da Polícia Civil. E como ficou? A mudança foi apenas na nomenclatura, no termo utilizado para definir um tipo de morte decorrente da intervenção de agentes do Estado a ser informado no inquérito policial.

Esse documentário vai tratar justamente esses homicídios, essas mortes supostamente em legítima defesa. Aqui você verá a precariedade do sistema judiciário e até mesmo da perícia criminal, pois na maior parte dos casos os relatos dos próprios policiais são a última palavra. Mas antes de entrar para assistir saiba que tudo que você verá é real, esse é um documentário sério e traz informações, sem exagero algum, assustadoras. Entre elas o número de mortes por “autos de resistência”, sim entre aspas porque a versão oficial, nos casos apresentados, foi desmentida pelas provas apresentadas. Vídeos comprovando a inocência das vítimas, contradição gritante entre depoimentos de um mesmo agente como um que alegou não ter efetuado nenhum disparo e depois assumiu que deu 6 tiros de fuzil contra a vítima.


Uma triste coincidência foi o lançamento da cabine no dia do enterro de Marcus Vinicius de 14 anos, morto com um tiro nas costas a caminho da escola. Lembra da Marielle Franco? Pois é ela está presente no filme, dando apoio às mães que perderam seus filhos.

Eu poderia ficar citando dados, algumas falas como a de um agente que se justificou pela tentativa de incriminar um inocente, ou detalhando como foi a morte das vítimas, mas isso só traria ares mórbidos e sanguinolentos ao texto e para isso já temos Datena e cia. Esse filme é uma denúncia, um alerta para o que vem sendo praticado contra a população que vive nas favelas. De modo algum tem o objetivo de promover o ódio contra a polícia militar e civil, ou as forças armadas, a proposta é chamar a atenção para uma política negligente e fracassada do Estado, na qual trata uma parcela da sociedade como cidadãos de segunda classe, sem os mesmos direitos daqueles com o CEP privilegiado de cartões-postais.

Auto de Resistência nos mostra as deficiências das investigações policiais e do sistema judiciário, que por muitas das vezes arquivam os processos e incriminam os mortos sem que ajam provas dos crimes da vítima ou da legítima defesa do policial.

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