Projeto Flórida [Crítica]


Projeto Flórida chegou timidamente com apenas uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Ator Coadjuvante com Willem Dafoe, e infelizmente não foi dessa vez, no entanto isso não o desmerece em nada. Particularmente eu acho uma injustiça não ter sido indicado em outras categorias. A atuação das crianças faz com que todos nós fiquemos presos ao filme torcendo pela pequena Moonee e seus amigos quando se aventuram pelos cenários cuidadosamente trabalhados.

Este longa é repleto de mensagens subliminares, fique atento para percebê-las! Para os que ainda não sabem, Projeto Flórida foi o primeiro nome da Terra da Disney ou Disneylândia quando ainda estava no papel, quando ainda fazia parte de um planejamento. O filme se passa na região periférica do parque de diversões, porém não vá pensando que você verá as famosas princesas ou o castelo da abertura de diversos filmes. Aqui a princesa da vez é a pequena Moonee (Broklynn Prince) que também vive num castelo mágico com sua mãe Halley (Bria Vinate) e seus amigos.


Aqui o lúdico e o real andam juntos o tempo todo assim como as crianças que se aventuram por construções abandonadas, terrenos baldios e também pela famosa avenida 902. Essas crianças vivem suas vidas sem as mesmas preocupações diárias de seus pais, brincam e se divertem como crianças comuns da periferia, sem muitos brinquedos, mas com muita energia e companheirismo.

Quando os adultos entram em cena a leveza fica de lado e os típicos problemas sociais dessa região logo aparecem. Nesse núcleo a realidade é dura, sem espaço para diversão, apenas preocupações com o hoje e com o amanhã. Na Terra da Oportunidade não há oportunidade para todos e sem compaixão a ajuda de terceiros a sobrevivência se torna impossível. Se alimentar, ter um teto e um emprego são as principais metas de uma hospede problemática e uma amável mãe, não muito responsável, porém consciente de suas falhas tenta fazer o melhor para seguir em frente ao lado de sua princesa.


Apesar de algumas risadas inevitáveis por conta das travessuras das princesas e dos príncipes não se trata de uma comédia e sim um drama didático em diversos aspectos. O principal deles a meu ver é o cuidado que devemos ter com as crianças e com a infância delas, principalmente das mais carentes, estejam elas em favelas cariocas ou em conjuntos habitacionais estadunidenses. Moonee é o retrato da criança vulnerável, pois passa a maior parte do tempo sem a supervisão da própria mãe. Se expondo a riscos consequentes das próprias brincadeiras. Em outras ocasiões, junto com mãe, tenta vender lembrancinhas chinesas para turistas ou produtos furtados dos clientes noturnos de Halley.

Projeto Flórida acertou na medida exata entre entreter e ensinar ao mostrar a realidade ignorada dos adultos e crianças indesejadas presentes no caminho para a “Terra da Fantasia”. Espero que depois desse filme as pessoas olhem com mais carinho para crianças e adultos que só desejam uma oportunidade de viverem com dignidade.

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