Com Amor, Simon [Review]

Porque a gente também merece comédia romântica teen.


Com Amor, Simon é um filme que estreou no começo de 2018 aqui no Brasil, foi dirigido por Greg Berlanti e produzido/distribuído pela 20th Century Fox e a Temple Hill Entertainment.

Com Amor, Simon conta a história de um adolescente no seu último ano no high school (ensino médio). Simon (Nick Robinson) é um garoto comum, com uma ótima família, com condições financeiras, com bons amigos e gay, porém não assumido. Na escola que ele estuda há um blog comunitário, que qualquer pessoa pode fazer um poste, anonimamente ou não, e Simon um dia vê uma publicação de outro menino no armário desabafando, sem se revelar, sobre como é ser um homossexual não assumido. É, então, que o protagonista resolve entrar em contato com ele e os dois começam a conversar.

Com Amor, Simon é um filme romântico adolescente como qualquer outro, com seus clichês e “foram felizes para sempre”. Porém, é um romance não hétero e isso é essencial. Deixa eu tentar explicar. Um dia, em um grupo no facebook, eu li um desabado de uma menina lésbica falando que a comédia romântica é um privilégio hétero. Nem toda pessoa que se relaciona com o sexo oposto gosta de romance, de filme água com açúcar, na verdade, há um posicionamento contra esse tipo de filme, principalmente vindo das mulheres. Mas vocês não deixam de ter um filme para abstrair a cabeça, com final feliz, que te diz: “vai ficar tudo bem” e “alguém vai te amar”. Enquanto nós da comunidade LGBT+ recebemos morte, rejeição, sofrimento para sermos aceitos, homofobia etc.

(Eu mesma já cansei de ficar procurando uma comediazinha com casal entre duas meninas, que nenhuma morre, e é sempre frustrando não achar.)

Ter filmes que mostram a realidade cruel que as pessoas não cis e hetero sofrem é importante. Esse tipo de audiovisual deve, sim, continuar sendo feito, mas a gente também merece filmes que naturalizem a nossa realidade, de filmes que mostrem felicidade e, principalmente, filmes que nos acolham. Simon representa a classe privilegiada da comunidade e isso não é ruim. Não é porque ele só abordou uma parcela da realidade masculina homo afetiva que ele deixa de ser um filme que fala sobre uma minoria. Acima de tudo, Com Amor, Simon não deixa de mostrar para o grande público que dois homens podem ter um romance e se amarem.

(Lembrando que. A comunidade LGB privilegiada, que tem uma boa família e condições financeira, com esse filme, vão ser incentivada a se “assumirem” – porque, sim, até essas pessoas tem medo. Essas pessoas colocando o sol na cara, vai ter mais gente naturalizando isso. Com mais gente naturalizando isso, mais filme/séries são feitos e mais gente saindo do armário. Ou seja, é uma bola de neve do bem.)

Se você não se sentiu representado por esse filme, não fique frustrado ou com raiva. Pense que as coisas estão mudando, tenha empatia que outra pessoa consegui ser representada e que a sua vez pode estar chegando. 

O Simon não levanta bandeiras, mas a atuação do Nick Robinson representa a angustia e a ansiedade que a gente passa ainda no armário, aquele medo constante que alguém vai descobrir o nosso “grande secreto” e nos expor.

Com Amor, Simon é um filme acima de tudo sobre se aceitar e ser quem você realmente é. Estou esperando, agora, a versão lésbica, a versão trans, a versão bissexual, a versão travesti, a versão assexual, a versão não binária, a versão poliamorossa, entre outros tantas formar de amar e se relacionar.

Vale ressaltar que o diretor do filme é casado com um homem, ou seja, é tem representação atrás das telas também.

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