Operação Red Sparrow [Crítica]


O velho jogo de gato e rato entre duas potências globais, mas como o próprio nome do filme já diz a briga dessa vez será entre a águia careca e o pardal vermelho, sem chamar pouca atenção. Operação Red Sparrow é um filme de espionagem e suspense baseado no livro homônimo de Jason Maththews. Aqui no Brasil o livro foi lançado com o título de Roleta Russa. A história gira entorno da ex-bailarina russa Dominika Egorova (Jennifer Lawrence) praticamente coagida a se tornar uma espiã do tipo Pardal (Espiões cuja a principal arma é a sedução) pelo próprio tio Ivan Egorov (Matthias Schoenaerts).

Após um “acidente” tramado pela colega e pelo parceiro de apresentações Dominika fica sem o apoio financeiro do Bolshoi e aceita a oferta de ajuda do seu tio, isso para não acabar na rua com sua mãe debilitada. A ajuda oferecida não passava de uma armadilha para deixar Dominika ainda mais vulnerável e dependente do tio obcecado.

Durante todo o filme temos bastante nudez (Tem uma razão além da ficção, favor leia até o final), violência e um bocado de sangue. Faltou um pouco do suspense e a parte da espionagem tem um tom bem amador. Os dois espiões principais parecem desconhecer a discrição, característica fundamental para quem precisa fazer o seu trabalho sem ser notado. Além disso tem um romance que balança momentaneamente a protagonista, no entanto não direi o resultado dessa paixão entre Rússia e Estados Unidos. Você precisará assistir até o final para saber o desfecho e só para te avisar: são duas horas e vinte minutos. Isso mesmo!

O filme em si é bom tecnicamente falando, só precisa corrigir uma ou outra coisa. Uma dessas correções é a questão do tempo. A história em si não é muito complexa, o romance é bem raso e tudo poderia ser desenvolvido em menos tempo. Ou se quisesse manter esse tempo todo incrementasse com mais espionagem de fato e suspense.

A nudez


Eu sempre fui contrário a cenas de sexo ou nudez sem sentido durante o filme como forma de entreter, despertar ou prender a atenção de quem assiste. Isso para mim significa enredo fraco, história desinteressante ou mal escrita. Em Operação Red Sparrow a nudez é presente praticamente do início ao fim, em algumas cenas beira o ridículo, porém, não deve e não pode ser visto apenas dessa forma. É preciso ver além da tela.

Há três anos Jennifer Lawrence teve suas fotos íntimas roubadas e divulgadas por hackers expondo-a de uma forma traumatizante. A atriz sempre recusou papéis nos quais houvesse um alto teor de sensualidade justamente por conta da exposição que isso pudesse trazer. Logo após o ocorrido Lawrence refutaria ainda mais qualquer trabalho onde ela fosse minimamente exposta. Todavia a atriz enxergou uma forma diferente de superar o trauma e assim ajudar outras vítimas da exposição covarde que é o roubo e divulgação de conteúdo íntimo ou a própria Pornografia de Vingança. Essa nova maneira foi aceitar a personagem sedutora, uma espiã cuja a sensualidade é principal arma na obtenção de informações.

Por isso reitero a necessidade de olharmos além da tela, é necessário olhar para aquela mulher enfrentando um dos seus piores traumas, fazendo um papel no qual remete a uma das piores fases de sua vida. Jennifer Lawrence assim como diversas outras atrizes também sofreu com o machismo e a lipofobia por parte de diretores e produtores.




São nos momentos traumáticos que a força se esvai, que a esperança desaparece e nos vemos fragilizados. Sem forças para seguir em frente e dominados pelo desespero cogitamos apenas o fim do sofrimento da maneira mais rápida possível, pois o medo do amanhã é imensurável, assim como a dor. Mas não pode ser esse o nosso fim, todos temos o direito à felicidade e não podemos deixar roubarem isso de nós. A força que precisamos vem de dentro da gente e de algumas mãos que nos colocarão em pé novamente.











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