Maria – Não Esqueça que Venho dos Trópicos [Crítica]


Um excelente documentário para espantar os vira-latas (Síndrome) de plantão e enriquecer um pouco mais a nossa cultura e a história da arte. Apesar de ser um admirador das artes plásticas, não sou um profundo conhecedor e por isso não tenho como falar com propriedade das obras de Maria Martins. Se assim como eu você é um simpatizante, admirador ou se nem curte arte, ainda assim vale muito a pena ver esse documentário.

Sei que não é certo começar uma crítica adjetivando, muito menos provocando determinado grupo, mas dessa vez senti a necessidade disso por questões pessoais. Esse documentário não é apenas sobre uma mulher incrível, é também sobre como nós (Brasileiros) podemos ser incríveis e mesmo assim, por causa de uma síndrome ou desinformação, muitas vezes nos menosprezamos.

Reconhecida internacionalmente e admirada por artistas contemporâneos como Jacques Lipchitz e Marcel Duchamp, Maria Martins foi uma escultora surrealista que expressava seus sentimentos e falava explicitamente sobre sexualidade e nudez em suas obras. A cultura brasileira e a religiosidade também fizeram parte de seu trabalho, inclusive foram o tema de sua primeira exposição.

Maria Martins com sua obra mais famosa e expressiva
Muito antes do surgimento do feminismo e da revolução sexual (Em 1960) Maria Martins já era um exemplo de autonomia feminina. Diferente da realidade da época para a maioria das mulheres Maria possuía livre-arbítrio para seguir seus sonhos e desejos sem ficar condenada à sombra do marido

A contribuição para a arte não se restringiu às suas obras. No Brasil foi responsável pela organização da Bienal de São Paulo, colaborou para a criação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e defendeu a liberdade de expressão artística em um de seus artigos no Correio da Manhã. Infelizmente aqui ela não foi devidamente reconhecida devido ao machismo e ao moralismo que dominavam o cenário artístico e social. Também enfrentou dificuldades em sua vida pessoal antes de sair do país pela primeira vez. A perda da guarda de sua filha após o desquite e sua morte abalaram Maria e isso foi retratado em algumas de suas esculturas.

Cena do documentário com as principais obras
Maria Martins foi, sem dúvida, uma mulher à frente do seu tempo, entretanto a nossa cultura machista simplesmente deu conta de abafar seu talento. Como seria se ela não tivesse saído do Brasil, ou se tivesse vivido em algum outro país igualmente machista? Será que ela teria conseguido se dedicar a arte? Será que teria a liberdade em sua vida amorosa?

Isso mostra o quanto ainda precisamos evoluir para alcançar a igualdade de gênero, de etnia, de credo e social. Também precisamos combater essa terrível síndrome que nos coloca abaixo de todos e não reconhece o nosso valor. Assistir esse documentário já ajuda em algumas dessas questões, mas não pode parar por aí.

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